Sabe aquele instinto de acariciar a barriga quando se está grávida? Ou de conversar com o recém-nascido? Inconscientemente, e com gestos tão simples, você já está dando a seu filho sinais de que o ama e, assim, estreitando os laços que os une. “Durante a automassagem, principalmente após 18 semanas de gestação, é muito comum as mães relatarem que o bebê se movimenta, acompanhando as suas mãos”, conta Denise Gurgel, fisioterapeuta especializada em saúde materno-infantil e Shantala.

Ainda dentro do útero materno, o bebê experimenta literalmente na pele um pouco do mundo, ao ter contato tátil com o útero, as estruturas internas da mãe e, claro, os carinhos que ela faz na barriga. Depois que nasce, é pelo toque amoroso que ele se conforta e sente-se aconchegado. Além de se acalmar com a voz dos pais, o bebê também fica mais tranquilo se tiver a sensação do aperto do útero da mãe, com um colo, abraço ou enrolado à manta quentinha. É que, enquanto crescia, o espaço na barriga ficava menor e o estímulo tátil sempre aumentava. “Ao ser tocado carinhosamente após o nascimento, ele se lembra daquela sensação de segurança da gestação e sente-se protegido. Todo esse acolhimento, seja pelo colo, embalo e da massagem ajudarão o bebê a descobrir o mundo e a responder aos estímulos com relaxamento”, enfatiza Denise.

Sabedoria milenar

A Shantala, um tipo milenar de massagem indiana, foi trazido ao ocidente pelo médico francês Frederick Leboyer*. Enquanto passeava pelas ruas da Índia, o médico se deparou com uma mulher, Shantala, massageando seu filho Gopal e ficou impressionado com a ternura do gesto. Ele documentou o momento e escreveu um livro sobre o assunto: “Shantala: massagem para bebês, uma arte tradicional”. O nome da mãe acabou por batizar a técnica, hoje amplamente difundida no ocidente. Em suas observações, o médico francês avaliou a necessidade do toque para o desenvolvimento do bebê em uma frase que ficou célebre: “Sim, os bebês tem necessidade de leite, mas muito mais de serem amados e receberem carinho. Serem levados, embalados, acariciados, pegos e massageados”.

As vantagens da Shantala são muitas. Além de aumentar o vínculo entre pais e bebê – sim, o papai também pode massagear o filhote – a técnica minimiza o desconforto das cólicas, ajudando no peristaltismo, e é importante para a formação da imagem corporal do bebê, que descobre o próprio corpo, tamanho e flexibilidade. O carinho e a atenção durante a massagem melhoram a comunicação entre os pais e o nenê. “Antes de chorar, ele se comunica com o corpo, a sua linguagem primordial, e a técnica é uma forma de aprendermos a ler e interpretar o que o pequeno está querendo dizer. À medida que a mãe compreende essa comunicação, o dia a dia será mais tranquilo”, explica Denise. Outra vantagem é a desculpa para sair da rotina. Em meio a tantos cuidados e obrigações no começo da vida de uma criança, um tempinho para a Shantala é ótimo para criar um momento de puro prazer e relaxamento com o bebê ou um momento de reencontro com a mamãe que trabalha fora, por exemplo.

Para começar a usar a técnica você precisa de algum tempo livre e algumas dicas. As grávidas necessitam de um bom óleo e podem caprichar na massagem da barriga. Quem não tem ideia de como fazer, encontra um áudio inspirador aqui. Para receber diretamente a massagem, o nenê deve ter mais de um mês e o coto umbilical totalmente cicatrizado. Um ambiente calmo, acolhedor e aquecido ajuda a confortar o pequeno, que deve estar sem roupinha. “O uso do óleo é indispensável, para facilitar o deslizamento das mãos, harmonizando os movimentos”, finaliza Denise. Qualquer pessoa pode tentar fazer Shantala em casa. Clique aqui para um passo a passo descomplicado da massagem.

* Natura Mamãe e Bebê se inspirou na shantala para desenvolver o método de massagem para bebês “O fortalecimento do vínculo” e por isso paga direitos autorais ao Dr. Frederick Leboyer